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    Cirurgia às cataratas: por que motivo deve tratá-las cedo?

    • Saúde visual
    12 min leituraPublicado a: 20/01/2026Última actualização a: 23/03/2026
    Paciente é preparado para realizar uma cirurgia às cataratas.

    Índice

    • Cirurgia às cataratas: quando é recomendada?
    • O que esperar da operação às cataratas?
      • Facoemulsificação: o que é e como funciona?
    • Cuidados após a cirurgia às cataratas: o que precisa de saber?
      • Não é porque vê bem que está tudo bem
      • Os óculos ainda podem ser necessários
      • A vigilância contínua é essencial para evitar problemas futuros
      • O papel do optometrista após a cirurgia
      • As lentes progressivas continuam a ser úteis
      • O estilo de vida atual exige cuidados visuais redobrados
    • Onde procurar apoio especializado após a cirurgia?
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    As cataratas são uma condição ocular que afeta milhões de pessoas em Portugal e no mundo, especialmente com o avançar da idade. São causadas pela opacificação progressiva do cristalino: uma lente natural que nos permite focar imagens com clareza. Com o tempo, esta vai ficando turva, dificultando a visão e, em casos mais avançados, provocando cegueira reversível.

    Quanto mais tempo se adia o tratamento, mais a qualidade de vida se pode deteriorar. Tarefas simples e diárias, como ler, conduzir, reconhecer rostos ou até caminhar em segurança, tornam-se difíceis.

    Por isso, se sente que a sua visão pode estar comprometida, consulte um optometrista ou um oftalmologista.

    Ao longo deste artigo, iremos explicar-lhe:

    • quando é recomendável fazer uma cirurgia às cataratas;
    • como é que a intervenção é realizada;
    • quanto tempo de recuperação é necessário;
    • e que cuidados pós-cirúrgicos devem ser priorizados.

    Cirurgia às cataratas: quando é recomendada?

    A realização de uma operação às cataratas é geralmente recomendada quando a perda de visão começa a interferir com as atividades diárias. Não existe uma “idade certa” para operar. O que define o momento ideal é o impacto que a catarata tem na sua qualidade de vida.

    Muitas vezes, as cataratas são diagnosticadas numa fase inicial em exames de rotina, mas o profissional de saúde pode sugerir aguardar, caso ainda não existam sintomas significativos. No entanto, é importante monitorizar a sua evolução.

    Outro aspeto a considerar é a presença de outras doenças oculares. Se tiver glaucoma, degeneração macular ou retinopatia diabética, o controlo da visão torna-se ainda mais delicado e o tempo para intervir pode ser mais curto.

    Atualmente, com a evolução dos tratamentos oculares, não é necessário que a catarata esteja “madura” para ser removida. Pelo contrário, operar mais cedo facilita a recuperação e reduz as complicações visuais.

    O que esperar da operação às cataratas?

    A operação às cataratas é uma das cirurgias mais seguras a nível mundial.

    Primeiro, é realizada uma avaliação oftalmológica detalhada. O profissional de saúde irá medir o seu olho com equipamentos específicos para calcular a lente intraocular (LIO), que será colocada durante a cirurgia, de forma a substituir o cristalino opaco e devolver-lhe a visão.

    Durante o procedimento, o paciente está acordado, mas sob anestesia local (geralmente em gotas), o que torna todo o processo indolor. A cirurgia dura cerca de 15 a 30 minutos e, em muitos casos, o regresso a casa é feito no próprio dia.

    No pós-operatório imediato, é comum sentir-se uma ligeira sensação de ardor no olho intervencionado. A visão pode estar turva nas primeiras horas ou dias após a intervenção cirúrgica, mas tende a melhorar rapidamente.

    Facoemulsificação: o que é e como funciona?

    A facoemulsificação é a técnica mais avançada e amplamente utilizada na cirurgia às cataratas. É minimamente invasiva, tem um tempo de recuperação rápido e apresenta uma taxa de sucesso elevada.

    Como é realizado o procedimento em detalhe?

    A facoemulsificação (ou faco, como é popularmente chamada) consiste na utilização de ultrassons de alta frequência para fragmentar o cristalino opacificado (a catarata), permitindo a sua remoção através de uma pequena incisão. Após essa remoção, é implantada uma lente intraocular (LIO) que restaura a visão a 100%.

    Vejamos, em detalhe, o passo a passo:

    • a anestesia é realizada localmente, através de gotas. O olho é anestesiado com colírios e o paciente permanece acordado durante todo o procedimento, sem dor;
    • é realizada microincisão na córnea de apenas 2 a 3 mm. É por esta abertura que entra o equipamento que realiza o procedimento cirúrgico;
    • faz-se a emulsificação do cristalino, mediante a introdução de uma sonda ultrassónica que fragmenta a catarata em minúsculas partículas. Estes fragmentos são aspirados de imediato, limpando o espaço intraocular;
    • realiza-se o implante da lente intraocular. Trata-se de uma lente artificial dobrável, que é inserida na cápsula onde estava o cristalino. Esta desdobra-se naturalmente e ajusta-se ao olho;
    • não são necessários pontos. A pequena incisão sela-se sozinha, sem necessidade de suturas. O olho é protegido com um penso até ao dia seguinte.

    Vantagens da facoemulsificação

    • É um procedimento rápido (15 a 30 minutos).
    • A recuperação visual é acelerada, com melhorias visíveis nas primeiras 24-48 horas.
    • Tem um menor risco de complicações, em comparação com as técnicas mais tradicionais;
    • A cirurgia é ambulatorial, ou seja, o paciente vai para casa no mesmo dia;
    • Apresenta uma precisão elevada graças à tecnologia envolvida.

    Além disso, durante a facoemulsificação, ao remover a catarata, o cirurgião substitui o cristalino por uma lente intraocular (LIO), que pode ser escolhida de forma a corrigir outros problemas visuais, como:

    • miopia(dificuldade em ver ao longe);
    • hipermetropia (dificuldade em ver ao perto);
    • astigmatismo (visão distorcida);
    • presbiopia (vista cansada associada à idade).

    Estas lentes especiais podem ser:

    • multifocais ou trifocais, para quem quer ver ao longe, ao perto e a distâncias intermédias sem usar óculos;
    • tóricas, ideais para quem tem astigmatismo;
    • lentes multifocais tóricas, uma combinação das anteriores, para quem quer uma máxima independência dos óculos.

    Isto significa que, além de tratar a catarata, a cirurgia pode melhorar significativamente a sua visão a todas as distâncias, oferecendo-lhe mais liberdade e qualidade de vida.

    Cuidados após a cirurgia às cataratas: o que precisa de saber?

    Muitos pacientes pensam que, depois da intervenção cirúrgica, está tudo resolvido. Recuperam a visão, deixam de precisar de óculos (em alguns casos) e assumem que nunca mais terão de se preocupar com a saúde visual. Mas esta é uma perceção errada e perigosa.

    Segundo os especialistas em optometria, a cirurgia às cataratas não representa o fim do ciclo de cuidados com a visão. Pelo contrário, esta marca o início de uma nova fase, com exigências específicas que não devem ser ignoradas.

    Não é porque vê bem que está tudo bem

    Após a cirurgia por facoemulsificação, a maioria dos pacientes recupera a acuidade visual, mas isso não significa que a saúde ocular esteja garantida para sempre.

    O que muitas pessoas não sabem é que:

    • 10% a 40% dos pacientes podem continuar a apresentar uma diminuição da visão, mesmo depois de uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida;
    • esta perda pode ocorrer por várias razões, como erros refrativos não corrigidos, patologias pré-existentes (como Degeneração Macular da Idade ou olho seco), catarata secundária, ou até causas neuro-oftalmológicas (como estrabismos descompensados).

    Por isso, mesmo que sinta que "vê bem", o acompanhamento por um optometrista ou por um oftalmologista continua a ser fundamental após a cirurgia.

    Os óculos ainda podem ser necessários

    A lente intraocular implantada durante a cirurgia pode não corrigir totalmente todos os erros refrativos (como o astigmatismo leve ou a visão para leitura), especialmente se tiver optado por uma lente monofocal. Nesses casos, os óculos continuam a ser importantes e devem ser ajustados às suas novas necessidades visuais, que são diferentes do pré-operatório.

    Evite comprar óculos pré-fabricados em farmácias ou lojas de conveniência. Esses modelos não consideram:

    • a distância interpupilar;
    • a curvatura da córnea;
    • as necessidades específicas da visão ao perto ou intermédia.

    Só um exame completo com o seu optometrista de confiança pode garantir uma correção visual adequada após a cirurgia às cataratas.

    A vigilância contínua é essencial para evitar problemas futuros

    De acordo com os estudos clínicos, o seguimento regular após a cirurgia às cataratas serve para:

    • detetar precocemente problemas como as cataratas secundárias (opacificação da cápsula posterior), que afeta entre 12% a 20% dos operados;
    • monitorizar doenças associadas ao envelhecimento visual (degeneração macular relacionada com a idade, retinopatias e olho seco, que pode surgir ou agravar-se após a cirurgia;
    • avaliar a estabilidade e o posicionamento da lente intraocular implantada.

    Lembre-se: ver bem hoje não significa ver bem amanhã, especialmente se tem mais de 65 anos e/ou outras condições de saúde ocular.

    O papel do optometrista após a cirurgia

    Após a alta hospitalar, é comum que o acompanhamento oftalmológico reduza ou até cesse, o que leva muitos pacientes a pensar que já não precisam de recorrer a um profissional de saúde visual. Mas isso é um erro.

    O optometrista tem um papel central nesta nova fase, visto que:

    • faz a avaliação da acuidade visual real, já sem a interferência da catarata;
    • prescreve e ajusta óculos ou lentes de contacto, se necessários;
    • ajuda na gestão de condições oculares, como olho seco, fadiga visual, ou uso prolongado de ecrãs;
    • identifica alterações precoces e orienta o paciente para o especialista certo, se necessário.

    A ligação entre o paciente e o optometrista deve manter-se ativa após a cirurgia.

    As lentes progressivas continuam a ser úteis

    Se já usava lentes progressivas antes da cirurgia às cataratas, provavelmente continuará a precisar delas — especialmente se tiver optado por lentes monofocais implantadas.

    Estas lentes:

    • oferecem visão nítida a várias distâncias;
    • reduzem a necessidade de mudar constantemente de óculos;
    • facilitam as atividades do dia a dia, como ler, trabalhar ao computador ou cozinhar.

    A adaptação no pós-operatório pode exigir uma nova graduação e tipo de lente. Nesse sentido, é fundamental agendar uma consulta de optometria, para uma reavaliação completa.

    O estilo de vida atual exige cuidados visuais redobrados

    Vivemos num mundo onde o esforço visual é constante. Mesmo após uma operação às cataratas bem-sucedida, fatores como:

    • o uso constante de ecrãs (telemóvel, tablet, computador);
    • a exposição prolongada ao sol;
    • ou as leituras prolongadas, assim como a condução noturna, exigem uma visão funcional, confortável e bem corrigida.

    Neste contexto, pode ser necessário usar:

    • óculos com filtros de luz azul para o digital;
    • filtros solares para proteger contra radiação ultravioleta;
    • lentes ocupacionais para atividades específicas;
    • acompanhamento frequente para ajustes personalizados.

    A cirurgia resolve a catarata, mas a saúde visual deve ser cuidada todos os dias, com a mesma atenção que se dá a outros aspetos da saúde.

    Onde procurar apoio especializado após a cirurgia?

    As óticas especializadas, com equipas de optometristas clínicos e técnicos de óptica ocular, são o lugar ideal para:

    • avaliar o estado visão após uma cirurgia;
    • ajustar as lentes aos novos hábitos visuais;
    • identificar precocemente eventuais alterações oculares;
    • aconselhamento sobre proteção ocular.

    No Grupo Optivisão, encontra acompanhamento especializado após a cirurgia às cataratas, com optometristas clínicos experientes, tecnologia de última geração e soluções visuais personalizadas para cada fase da sua recuperação.

    Agende hoje mesmo a sua consulta de avaliação pós-operatória numa das nossas óticas.

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    Artigo produzido com a colaboração de Eduardo Teixeira, Optometrista

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